0

Senador Medeiros visitou Nobres e afirmou que Taques não soube dar a “César, o que era de César”


Ele ainda afirmou que o governador não sabe contar história

POLÍTICA Publicada: 03/02/2018 19:46:09 Autor: Marcos Lopes
Foto: Marcos Lopes
.

Na última quarta-feira (31), o senador José Medeiros (Podemos) esteve visitando Nobres e na oportunidade se reuniu com o prefeito Leocir Hanel (PSDB) e secretários municipais como também conversou em evento paralelo com os servidores municipais no Plenário Lagoa Azul.

Ao final do evento, Medeiros concedeu uma entrevista coletiva a Imprensa e após o encerramento da conversa com os jornalistas, o site KM News conseguiu uma entrevista exclusiva com o senador do Podemos. Ele falou sobre conjuntura política e teceu algumas criticas ao governador Pedro Taques (PSDB) e afirmou que ele (Taques) não soube “dar a César, o que era de César”.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva do senador José Medeiros ao Site KM News.

KM NEWS: Senador, o senhor trocou o PSD pelo Podemos para tentar viabilizar o seu projeto de reeleição, como está às articulações do seu grupo em Mato Grosso? O Podemos poderá ter um palanque para o pré-candidato a presidente, senador Álvaro Dias?

MEDEIROS: Nós temos um pré-candidato à presidência da república, que é o Álvaro Dias, ao governo do estado nós não temos um pré-candidato ainda, não está descartado aparecer e não tratamos em qual arco de alianças vamos estar.

KM NEWS: O senhor assumiu o senado em substituição ao então senador Pedro Taques que renunciou a senatória em detrimento da candidatura ao governo, hoje o senhor o senhor está mais perto ou mais longe de uma aliança com o governador nas eleições majoritárias desse ano?

MEDEIROS: A tendência é que não vamos estar com o atual governador, mas estamos ainda em aberto. Não estamos discutindo a chapa majoritária para governo. Estamos discutindo a montagem da chapa para deputado estadual, federal e senador.

KM NEWS: E qual seria a tendência do Podemos e como o senhor avalia a administração do governador Pedro Taques?

MEDEIROS: Política, é, como já dizia Franco Montoro, ela é como uma nuvem, no mesmo momento que está carregado e parece que vai chover derrepente o céu já está a pino e o vento já levou as nuvens. Então esse cenário, eu diria que (...) foi tempestade perfeita para o governador. Juntou o fato de ele ter herdado um cenário econômico, uma administração bem caótica que ele recebeu do governo passado e culminou com o ápice da crise nacional e juntou ainda com toda a dificuldade política que o governador tem como gestor. (...) Ele foi um ótimo parlamentar, mas como governador, você precisa de todo mundo, eu digo sempre que um prefeito, um governador e o presidente da republica, ele é mais servo de todos, do que propriamente o chefe, porque ele precisa de todo mundo e o governador vem de um lugar, onde, ele estava acostumado ser senador, a ser do Ministério Público, onde ele estava acostumado a ser parecido com “César”, as pessoas vem  lhe pedem alguma coisa, você faz assim ou assim (nesse momento Medeiros fez sinal de positivo e negativo com o seu polegar esquerdo) , principalmente no Ministério Público, então o judiciário também é muito assim e (...) já no governo não, você depende de tudo isso e você depende até do médico que está de plantão lá na UTI de fazer um bom trabalho, se não respinga em você. Depende também da Assembléia, depende de tudo e aí o que acontece, a gente sente que ele está bem novo nesse sentido dele ser bem flexível.

KM NEWS: Todos esses fatores podem atrapalhar o governador na hora dele tentar articular e viabilizar o seu projeto de reeleição com os demais partidos?

MEDEIROS: (…) Isso não inviabiliza o governador como gestor, mas aí vem a grande falta de dinheiro, e aí diz que casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. E o que ocorre faltaram todos esses recursos, o governador entra em uma espiral de maré baixa, ele tinha como recall de ser o governador da ética, o governador que veio do Ministério Público e aí começou a ter problemas de ordem ética no governo dele, uma secretaria com problema ali, uma história de grampo acolá e coisas que começaram a desgasta-lo intensamente. Então isso tudo fez com que, os parceiros, e na política é assim, que nem mercado financeiro, o cara observa e vê se aquela ação vai dar lucratividade ou não. O pessoal começa a observar, e começa a vender ação e a ação vai perdendo o valor e na política também é assim e nesse momento a gente sente que os players que vão disputar a eleição, estão simplesmente procurando outras candidaturas. O Mauro Mendes, Adilton Sacheti e tantos outros, até mesmo o Favaro, estão querendo fugir do barco do governador.

KM NEWS: O governador tem a maquina na mão, isso pode ser uma vantagem dele na hora de costurar um arco de alianças com os demais partidos? Ou em sua opinião hoje seria inviável o governador Pedro Taques disputar a reeleição?

MEDEIROS: Eu vejo que o governador tem dois meses ainda e você não pode subestimar a maquina e ele tem dois meses que ele pode mostrar musculatura e esse quadro mudar totalmente. Eu trabalhei na roça e isso aí é que nem passo preto na tulia de arroz, ele sai, mas se você jogar arroz volta tudo de novo.

KM NEWS: Caso o partido peça para o senhor ser candidato ao governo para dar palanque para o senador Álvaro Dias em Mato Grosso, estaria disposto a abrir mão da disputa ao senado? Ou Podemos teria algum outro nome que possa vir a ser candidato a governador?

MEDEIROS: Olha, o partido tem pressionado para que eu lance uma candidatura a governador, mas embora eu seja e tenho ponderado que sou um soldado do partido, esse chavão é velho na política, mas isso tem que ser discutido. Não fechei a porta, nós temos  vindo preparados para uma candidatura ao senado e eu digo que ainda está bem verde este assunto. E nós temos toda a possibilidade de lançar uma candidatura ao senado e buscarmos um arco de alianças aí que não está fechado ainda e não temos veto a nenhuma candidatura e isso não está fechado dentro do partido e vamos ter ainda uma reunião  nacional com o partido e se for depender da minha decisão, eu vou pro senado.

KM NEWS: Pra finalizar, o senhor fez a pouco uma analogia entre figura do Imperador César com o governador Pedro Taques. Na sua opinião, o governador não soube dar a “César, o que era de César”?

MEDEIROS: Eu vejo que ele fez o que estava dentro do limite, cada um dá o que tem. Mas quando eu me referi a “César”, eu digo que no Ministério Público, ele estava acostumado numa postura, porque no Ministério Público é você que manda.  E quando você está de prefeito ou governador, você depende de Câmara, de Assembléia, depende de tudo e do seu secretario de fazenda e você quer fazer uma coisa, o secretário fala se tem ou não tem grana e se não tem grana acabou e essa que é a grande verdade. E aí lógico quem não tem dinheiro, conta história. E se tem uma coisa que o Pedro não sabe fazer, é contar história.

Comentários

Comente está notícia: